Planeta Mafra

Do concelho para o mundo!

Primeiros riscos


Pintar era um desejo de infância. Um dia decidi e comecei com algumas aulas de desenho e algumas discussões pelo meio, mas fui fazendo os meus desenhos em aguarela e até que decidi começar a fazer retratos; era um desafio. A melhor maneira de eu fazer seja o que for, era dizerem-me “ah, isso é muito difícil… requer muita técnica… muita observação… muito treino”; não descanso enquanto não o conseguir. Fiz retratos e mais retratos, as pessoas achavam bem feitos e eu ía-me convencendo que me estava a tornar numa “artista”, até que me fartei e experimentei pintar em tela com tinta acrílica: gostei. Comecei por pintar esquinas e travessas da minha própria terra: Ericeira. Foi nessa altura que decidi fazer a minha primeira exposição. Senti uma satisfação muito grande, afinal era um sonho que se estava a tornar realidade. Para meu espanto foi um sucesso; o público aderiu bastante, gostaram muito e vendi algumas telas. Fiquei admirada e felicíssima. Foi um momento único de comunicação com o mundo que me rodeia. Houve no entanto no meio de tanta admiração uma frase que me fez parar para pensar e acordar para a realidade. Alguém escreveu no meu livro “pintar não é só borrar telas”. Eu podia até não mencionar nunca esta frase, mas faço-o porque foi importante para mim. Analisar o meu trabalho com olhos de ver e verificar que tinha tudo para aprender sobre a pintura. Eu não sei quem a escreveu mas agradeço sinceramente que o tenha feito, porque a verdade pode até ser cruel mas também amiga da perfeição. E é isso mesmo que eu procuro: a perfeição. Tento por nas minhas telas o mais parecido com o autêntico como se fosse uma fotografia. Pode até estar fora de moda mas isso não é importante; o que me motiva para pintar é tudo menos moda, embora eu saiba que não é rentável mas a satisfação de conseguir pintar uma onda, uma rocha ou uma simples nuvem é um sentimento difícil de explicar por palavras.