Planeta Mafra

Do concelho para o mundo!

O Crivo


Quantos dias tem a vida?
Quantas marcas tem o sonho?
A perpetuosidade de um canto,
renova a melancolia do medonho...
Quantas horas tem o grito?
Quantas farpas a falsidade?
A insustentável tremura,
na despedida já com saudade...
Quantas são as bocas de fome?
Quantas vidas se ceifaram?
Nos sorrisos de abastança,
purpurinas que outros mataram...
Quantas léguas de aventura?
Quantos trilhos?
Quanta sorte?
Se a pressa de chegar é tanta,
tanta quanto a vida sobre a morte...
Não me apetece mais sentir.
Não quero mais cantigas.
Revejo nesses olhos atrevidos
os desejos que mendigas.
Não vejo o silvo da vontade...
Não preparo a trouxa de ida...
E são tantas as lágrimas na chegada,
como os beijos frios da partida...
Tu amarras o crivo da sorte
e eu rastreio de novo o amanhecer.
Já chega de perguntas!
Não me apetece responder.

Acompanha-me (ao Al Berto)



E depois?
Será que sabes o que vem depois?
Depois do sono...
Depois da Noite...
será o Dia?
Definhas,
a cada hora,
a cada dia que passa...
Será que sabes o que (se) passa?
Abre os olhos.
Revira-os!
Olha para dentro de ti...
O susto!
Sabes o que é?
Nada advém
de um momento de companhia,
quando a companhia
não te acompanha no estar só.
Será que sabes o que é solidão?
Só... mente quem sabe.

Recomeçar


Hoje acordei com um sorriso.
Hoje acordei com a paz.
Não disse a ninguém mas,
prefiro voltar a acordar...
Já não sei bem se adormeço...
Já não sei bem... Serei capaz?
Confesso que amei o momento
de poder respirar.
Na minha mão o alento...
Na minha mão, para dar...
"O meu lado esquerdo" não pode ganhar!
Se eu tivesse mais um dia
Mais um dia para voltar!
Se eu tivesse mais um dia
Só para eu recomeçar...
(Mas) eu não acordei.

… eu não dou!


Sou a parte feia de um trovão.

Sou a cara gasta presa à tua mão.

Contraponto,
marco de outro
aguaceiro no verão.

Só uma cara feia em contra mão…
Que alimentas que amacias,
num aguaceiro de verão…

Sem remédio.
Sem sentido.
Um traço tosco no chão.

É tão cedo,
nem vi as horas…
Traz um copo.
Acorda!
Á vida é certa,
eu não.

O que eu não dou
O que eu não tenho
Cabe-me a mim dizer!

Porque eu não dou
Porque eu não sonho
E cabe-me a mim dizer!

Um sorriso só escondido em ti.

O alívio breve que chega no fim…

De um outro beijo…
De um outro sono…
De um outro corpo que eu vi…

Um sorriso só escondido em ti...

Este céu que é só meu
cheio de asas por soltar,
sem remédio
sem sentido,
é um rasgo fosco no chão.

Para quê tentar de novo amar?
Só tu sabes que a vida é certa.
Eu não!

Shuuutttt



Agora, diz-me!
Não me escondas o que sentes.

Agora! Diz-me!
Não me faças perder tempo.

"Devoro-me a cada palavra,
Sou apenas mais um ponto de exclamação
Na retórica dos dias…"

Diz-me, já!
Porque insistes em sorrir-me
Como uma criança de 2 anos?
Tu nem sequer sabes sorrir…

Diz-me, preciso de saber!
Não entendes que é uma necessidade!
Mais que um impulso,
Uma verdade que preciso de esconder
Para que ninguém veja,
Para que ninguém me saiba ler… um dia.

Diz-me…
Diz-me!
DIZ-ME!!!

Silêncio…

Dos teus lábios, nada mais que silêncio.

As provas inequívocas
De um murmúrio amargo,
Atravancam-te o discernimento…

Dás-me pena.

Não me digas mais nada.

O que o teu silêncio compra,
Corrói a verdade que proclamas de boca cheia.

Cala-te!
Já não te quero ouvir.
É tempo de te calares, agora!

É tempo de murmúrios…

Cala-te,
A tua voz magoa-me.

A Viagem


Viajámos juntos…

Será que deste pelo tempo passar?

Não vi a tua imagem desaparecer nos reflexos da manhã. Seria tão mais fácil matar-te dentro de mim… se fosses apenas um reflexo.

A distância não me afasta de ti. O tempo não permite que um sonho possa despertar-me para a luz do dia.

Não faz mal, acredito em ti… quando juras que não me abandonaste. Apenas me deixaste só, por um instante, para poder crescer à vontade.

Pois bem, cresci… mas a viagem continua.