Planeta Mafra

Do concelho para o mundo!

Sobre a focagem

Uma lente fotográfica consegue apenas focar num plano, normalmente paralelo ao filme (são excepções máquinas com movimentos e lentes tilt and shift, por exemplo). Depois, à medida que nos afastamos desse plano, a definição vai diminuindo gradualmente. Num espaço suficientemente próximo do plano focal pode-se considerar que a imagem ainda está “focada”, dado que se torna difícil perceber a referida perda de definição. Este espaço é denominado a “profundidade de campo”. Esta, como é evidente, depende de vários factores, como a ampliação que se faz à imagem, a distância a que é observada, a visão do observador e a abertura da lente.

No momento da captura podemos apenas controlar a abertura; esta determinará o que fica aparentemente focado na imagem (considerando valores standard para ampliação, distância de visionamento e acuidade visual do observador). Veja-se este exemplo (imagens da wikipedia, primeira a f/5 e a segunda a f/32):


É óbvio que a escolha da profundidade de campo é essencial na composição da imagem. A sua determinação, no momento da captura, pode ser feita de 2 maneiras:

1. Visualmente, se a lente permitir o denominado “depth of field preview” ou numa máquina de GF. Em ambas as situações é possível ver a imagem através da lente com o diafragma colocado na abertura pretendida. A luz que passa pela lente baixará muito, e o visionamento será difícil, mas possível. Recordo que, normalmente (excluindo GF), o diafragma apenas fecha no momento do disparo; daí que a imagem que se vê no visor/LCD da máquina não corresponde ao que será capturado.

2. Através de tabelas de profundidade de campo, quer inscritas na própria lente quer impressas em papel. Este costuma ser o meu procedimento; tenho impressa uma tabela de profundidade de campo para cada lente que uso, o que me permite determinar (com ajuda de uma fita métrica) de forma muito rigorosa o que ficará aparentemente focado na impressão final. Para lentes zoom este processo complica-se, já que as mesmas permitem diversas distâncias focais. Os movimentos de lente/máquina (como no GF) inviabilizam este processo, já que o plano focal deixa de ser paralelo ao plano do filme/sensor.

As tabelas são específicas para cada lente e formato do sensor/negativo; sugiro este site para o seu cálculo e impressão. O meu procedimento habitual é:

1. Faço a composição;
2. Observo os vários elementos e escolho os que quero que fiquem focados;
3. Meço/estimo as distâncias do elemento mais próximo e do mais afastado em relação à máquina;
4. Procuro na tabela qual a abertura e ponto de focagem que me permitem manter esses elementos aparentemente focados. Tal não será sempre possível, claro.
5. Com base nessa abertura, determino a velocidade e faço a fotografia.

É um processo mais moroso, mas só assim se garante o resultado pretendido. Pode-se fazer o mesmo recorrendo às escalas inscritas nas lentes, sempre que existam.

Finalmente, existe um ponto de focagem para o qual a profundidade de campo é máxima (fixando uma determinada abertura), e que corresponderá a ter aparentemente focado desde metade da distância desse ponto à máquina até ao infinito. Esse ponto denomina-se hiperfocal. Assim, considerando uma Canon 30D com uma lente de 50mm e abertura f/22 (e consultando a respectiva tabela no site atrás referido), temos que a distância de hiperfocal é de 5.87m, ou seja, teremos focagem aparente entre 2.93m e infinito.

Concluindo, penso ser evidente que “confiar” nos modos automáticos da máquina é perder o controlo sobre os aspectos criativos da fotografia; o controlo da velocidade, abertura e focagem devem ser sempre manuais (ou pelo menos semi-automáticos), por forma a devolver ao fotógrafo a escolha do resultado final…

Informação sobre o tema: link e link.

Comments are closed.

We're sorry, but comments are closed and that means you can't write any. Bummer.