Planeta Mafra

Do concelho para o mundo!

Leituras



Boing Boing | Gadget Tribes A bíblia da web lançou uma competição sobre o que caracteriza as tribos digitais. A minha tribo anda lá perto. Com o vaio + nokia n80 + archos 405 estou algures entre o blogger (versão windows), o simplicity (o portátil não é básico mas o cabelo é comprido) e o art kid (sem tablets nem nada mas muito gimp e corel). No fundo sou um gadget hound sem cashflow suficiente para os gadgets maravilhosos de hoje em dia (hmmm... aquele vaio P... o android g1... um archos 705...). Pura tétrade mcluhanista.

Seed |2009 Will Be A Year Of Panic Bruce Sterling em sobrerotação, em busca de tudo o que pode correr horrivelmente pior do que já corre nestes tempos difíceis. Uma leitura em nota de esperança no futuro.

The House By The Cemetery



Lucio Fulci é um dos nomes maiores de um género menor, o cinema de terror gore. Filme com a sua assinatura é filme que garantidamente contém cenas capazes de deixar o estômago aos pinotes.

The House By The Cemetery é um filme que opta por criar uma atmosfera soturna que culmina nos obrigatórios momentos sangrentos. Abandona a lógica linear para criar ambiências opressivas numa história que repete os elementos estilísticos do cinema de terror. Neste filme, um jovem investigador e a sua família mudam-se para uma cidadezinha da Nova Inglaterra. O investigador segue os passos do seu professor, que se suicidou durante as suas investigações. Ficam a residir numa sombria casa cujo jardim é um cemitério, e que oculta nas suas caves um tenebroso segredo, uma monstruosa criatura que necessita de células vivas para manter a sua antinatural longevidade. O jovem filho do casal é avisado pelo fantasma da filha do monstro, que quem se torna amigo, mas na clássica tradição dos filmes de terror todos os avisos são ignorados para terminar em paroxismos sangrentos.

Sem ser uma obra prima, The House By The Cemetery é um filme que mistura com mestria os elementos estilísticos do cinema de terror gore/slasher, reminiscente de outros filmes do género como The Shining (uma criança presciente dos horrores que se aproximam) ou Friday the 13th (facas de lâmina brilhante e suas feridas resultantes). O filme esteve disponível por alguns dias no Internet Archive.



Gasping - dying - but somehow still alive
This is the final stand of all I am

Sexta…

... final da semana. O dia inicia-se na EB1, onde vou prestar apoio informático. Não é uma obrigação - as EB1s estão sob alçada municipal e há um técnico de informática que as visita regularmente, mas como coordenador tic de um agrupamento quero fazer sentir a minha presença junto das outras escolas, para lá da sede de agrupamento. Não vou lá arranjar computadores, não posso nem devo pela questão da divisão de competências, mas vou ajudar presencialmente para responder a questões e instalar aplicações de utilidade pedagógica que normalmente escapam ao radar dos técnicos de informática - jogos educativos, multimédia, aplicações gráficas e o open office 3, uma vez que até outubro a escola estava a funcionar com o open office 1. O plano era instalar um conjunto de aplicações nas quinze máquinas da sala de informática, mas como é normal mal consegui passar das cinco. Não por lentidão mas porque surgem sempre outros pedidos e pequenos problemas a resolver. Também instalei o pacote pedagógico (GCompris, Sebran, VLC, Inkscape, Gimp, OpenOffice 3, Childsplay, TuxPaint, SuperTuxCart, SuperTux, TORCS e ArtRage) em pcs "novos" doados por encarregados de educação. Uma delícia, instalar aplicações em pcs pentium a correr o Windows 2000. Dá para colocar leituras em dia. Mas a coisa está nos eixos: ao chegar à EB1, fui saudado por uma professora que, entusiasmada, me relatou que instalou algumas das aplicações que deixei nos pcs da escola noutros computadores. Para quem está de fora pode parecer um pormenor pouco significativo, mas uma grande maioria dos professores sofre de um grande temor face à tecnologia. É recompensador ver os medos a desaparecer.

Tenho uma posição ambivalente no que respeita à doação de computadores para as escolas. Por um lado, é uma boa forma de equipar as escolas e representa um sinal muito positivo de envolvimento da comunidade (encarregados de educação e empresas) na escola que é de aplaudir. Por outro, representa uma forte dor de cabeça a muito curto prazo, pois são máquinas antigas e desactualizadas que correm com dificuldade aplicações mais recentes, com maior risco de falha de hardware a curto prazo. Como gestor de um parque informático envelhecido, conheço bem as chatices que máquinas com muitos anos de uso dão. Pessoalmente, prefiro esperar, embora sentado, pela chuva de máquinas prometida pelo Plano Tecnológico. Como este é um ano de eleições, algo me diz que muito em breve as escolas começarão a receber novos equipamentos. Mas longe de mim desdenhar as máquinas doadas, por respeito aos doadores e consciência de que são uma forma de dar mais oportunidades de uso das TI às crianças. No caso da EB1, gosto particularmente do facto destas máquinas terem sido colocadas em locais de acesso directo pelas crianças.

Regressar à sede de agrupamento para a hora de tutoria. Atrasei-me porque o projector da sala TIC teimava em não desligar. Compreende-se: sobreaqueceu, devido à acumulação de pó no filtro. Problema resolvido, como muitos espirros. O aluno da tutoria tem um trabalho de pesquisa para realizar, que para grande surpresa minha realizou com colegas. Pelos vistos funciona, a minha estratégia suavizadora de socialização de uma criança com predisposição para descontrole que, percebi quando o meu trabalho deixou o âmbito de direcção de turma e se tornou de acompanhamento, é uma criança isolada e sem amigos da mesma idade. O meu trabalho não tem passado tanto por tarefas específicas, optei por falar e ouvir. Por vezes nós, professores, sofremos com a cegueira das aprendizagens medíveis por desempenhos. Mas será isso o que é realmente importante na formação de um ser humano?

Leve irritação com os alunos que frequentam o espaço dos computadores. Optei por permitir a utilização de jogos de computador (uma excelente forma de me manter actualizado) mas o gosto tornou-se febre, com alguns miudos a fazer fila à porta da sala e discussões sobre quem deve estar ou não nos computadores. Dava menos chatice proibir os jogos, mas há chatices que gosto de ter. Expliquei-lhes que jogar, ali, era um privilégio e não um direito, e que para o manterem tinham de cumprir as regras impostas. Senão... adeus jogos. Às vezes é preciso ser-se autoritário. Durante breves momentos libertei o engenheiro sócrates que há em mim.

Regressado do almoço, boas notícias: chegou um pacote da atinformática. Devem ter dado pelo erro crasso da pen de reposição do sistema operativo do magalhães que me enviaram novinha em folha, pronta a estrear e sem qualquer bit de sistema operativo. Não me enganei: nova pen, com os quatro virgula qualquer coisa gigas de reposição do magalhães. Fiquei contente. Não só tenho a reposição disponível, como poupei trinta longos minutos de chamada em espera para a linha de apoio.

A ultima aula promete ser um desastre. Esqueci-me de reservar portáteis e a sala TIC está ocupada. O que é que eu faço com a minha pior turma numa aula que é a última de sexta-feira num dia chuvoso (dias que qualquer professor sabe que não são fáceis)? Fui, literalmente, salvo pelo gongo. A dois minutos da aula começar noto que os portáteis requisitados pelos outros professores estavam a ser devolvidos.

À semelhança da outra turma, o trabalho a desenvolver é um video. Um dos grupos já tem o texto de pesquisa alinhavado e está com vontade de gravar a voz. Os restantes afinavam os textos e pesquisavam videos no YouTube (esta é daquelas que faço mesmo por pirraça, para mostrar que as visões convencionais sobre os perigos de certos sites, exacerbadas pelo jornalismo-choque das televisões, são infundadas). Um portátil, um microfone, o audacity e alguns pedidos estratégicos de silêncio (bem... berros, mas berros simpáticos e bem humorados). Sentei-me com o grupo e gravei com eles os primeiros clips de voz. Ao fim de três, levantei-me e disse-lhes para se desenrascarem com o resto da gravação. Afastei-me e fiquei a vê-los a manipular o audacity e a gravarem voz com todo o cuidado, exportando os ficheiros para wav. Nada mau. Em meia hora aprenderam a manipular a voz, a gravar audio no computador e a manipular os gráficos da onda sonora. Quando a aula terminou não queriam arrumar porque faltava gravar mais um clip de voz.

Quatro e vinte. A escola esvazia-se e silencia-se. Altura de ir tratar da actualização do site da escola. Quatro textos a compor, um dos quais me vai meter em sarilhos: o anuncio que a reposição do magalhães já está disponível. Estou a imaginar filas à porta da escola... avisei que a reposição é um ultimo recurso e que não nos reponsabilizamos por perda de dados (porque "reposição" é um nome pomposo para "reformatação"). Como não planeio tornar-me técnico pro bono ao serviço da JP Sá Couto, avisei também que a iniciativa se restringe à reposição, não envolve problemas com virus ou outras dores de cabeça digitais. Estou a cumprir uma das imposições da CRIE/ERTE sobre os coordenadores tic, a que muitos se recusam, e com razão. Mas não consigo deixar de pensar em servir a comunidade onde trabalho. (Hmm. Isto tem um som pomposo. Ignorem.)

Para não variar, a hora de saída da escola ultrapassou largamente a hora prevista no horário. Quando saio, a escuridão paira sobre a vila. Chove. Não há iluminação pública. Por razões que a minha própria razão desconhece, fujo à monotonia da A21 e regresso à Ericeira pela estrada nacional. Longa viagem pela escuridão da estrada, num silêncio entrecortado pelo ruído do motor e da chuva a bater nos vidros do carro. O auto-rádio fritou os fusiveis à umas semanas...

Um mais um…

Há, na história do Freeport, um pecado original. Um erro de cálculo fatal, irreversível.José Sócrates deveria ter sido morto pelo processo Casa Pia. Vejam bem: eliminaram, de uma assentada, Ferro Rodrigues (o líder) e Paulo Pedroso (o delfim do líder), e até tentaram eliminar aquele que a própria cúpula do PS "elegeu" para líder, por umas escassas horas - Jaime Gama.Falhou-lhes o pormenor Sócrates. Quando tentaram, já era tarde. Ainda se atravessaram com a sua vida pessoal, mas não pegou. O Freeport é já um caso de desespero, como se percebeu logo com a palhaçada de 2005.Procurem as coincidências entre o processo Casa Pia e o caso Freeport... Vão ver que não são tão poucas. Com algumas derivações curiosas.

Câmara Corporativa

Conspiração.

Pacheco Pereira condescende que o processo Freeport teve início com uma conspiração:

«Aquilo de que José Sócrates foi vítima em 2005? Houve de facto uma "campanhazinha negra", com origem nuns imbecis do meu partido e do PP, a brincar às coisas sérias.»

Veio a provar-se em tribunal que esta “campanhazinha negra”, discutida nos “encontros da Aroeira”, teve início com uma carta anónima elaborada por Zeferino Boal, candidato do CDS à presidência da Câmara de Alcochete e distinto representante do CDS no STAPE.Foi com base nessa “denúncia anónima” que a Polícia Judiciária se pôs a investigar e enviou, em 2005, para as autoridades inglesas uma carta rogatória, cuja resposta chegou agora (segundo se diz no comunicado da PGR):
“Os alegados factos que a Polícia inglesa utiliza para colocar sob investigação cidadãos portugueses são aqueles que lhe foram transmitidos em 2005 com base numa denúncia anónima, numa fase embrionária da investigação, contendo hipóteses que até hoje não foi possível confirmar, pelo que não há suspeitas fundadas.”

A gritaria a que se assiste tem, portanto, por base uma “denúncia anónima”, com origem na maquinação congeminada nas vésperas das eleições legislativas em que Santana Lopes e Paulo Portas sofreram uma pesada derrota.Ora é precisamente essa “denúncia anónima”, que esteve na base da “campanhazinha negra”, que agora serve a Pacheco (e a outros muchachos) para lançar e alimentar a campanha negra em curso.Quando se esperaria que Pacheco Pereira denunciasse este remake da “campanhazinha negra”, o filósofo da Marmeleira opta por rosnar às canelas da vítima. Quando se esperaria que a direcção do PSD apontasse o dedo àqueles que, no seu seio, designadamente no grupo parlamentar, colaboraram nesta moscambilha, assiste-se a um silêncio cúmplice com os Karl Roves de trazer por casa.

PS — Há um pormenor desactualizado no comunicado da PGR: foi identificado em tribunal o autor da denúncia, pelo que, em rigor, já não se pode falar em denúncia anónima. Ela teve um rosto e propósitos precisos.

Paulo Ferreira

OS POMBOS SÃO ANIMAIS ESTÚPIDOS


José Sócrates gamou? Um ministro que recebe luvas para tomar uma decisão, o que faz é gamar. Gamou? Se o fez: 1) Ele é um canalha (que é o que é um ministro que gama); 2) ele é parvo (quem gama, não se candidata meses depois a lugar tão exposto como a chefia do Governo); e 3) ele tem uma daquelas deficiências cerebrais, tipo Vale e Azevedo, com cara de não passa nada, quando se passa muito e grave. Sócrates é tudo isso - se gamou. Se! Ora para a pergunta trivial - culpado ou inocente? - eu só posso responder: não sei. Sobre os factos não sei nada, só posso ser testemunha abonatória de José Sócrates: ele é o melhor primeiro--ministro que já tive. Mas isso é irrelevante. Por isso, já que a suspeita foi instalada, só posso afirmar a minha dúvida: não sei. Mas já sei, tenho até absoluta certeza, que há quem queira instrumentalizar essa minha dúvida. Enquanto esteve com a polícia e magistrados ingleses, a investigação foi o que devia ser, silenciosa. Desde que chegou a Portugal, há dez dias, foi um ver se te avias de informações às pinguinhas. Sou do meio, sei do que falo: investigação jornalística, o tanas. Milho atirado.


Ferreira Fernandes-DN

Canal história.

Em 1980, ano de eleições legislativas, era então Francisco Sá Carneiro primeiro-ministro, a Oposição resvalou para a «luta policial» (em vez da luta política). O Diário, jornal do PCP, foi o primeiro a lançar a campanha das alegadas dívidas de Francisco Sá Carneiro à banca (à mistura, envolveram a sua vida pessoal e privada ao barulho) e insistiu no tema até à exaustão. Em meados de Agosto, na RTP – não haviam mais canais e tinha acabado de estrear o colorido – Sá Carneiro defendeu-se do «combate larvar» que lhe moviam. Em Outubro, a AD obteve a segunda maioria absoluta.