Planeta Mafra

Do concelho para o mundo!



Dia cinzento.

Media, Technology and Society



Brian Winston (2005).Media, Technology and Society. Nova Yorque: Routledge

Temos uma fé quase inabalável nos saltos de progresso tecnológico. Cada nova maravilha da ciência aplicada parece abrir novas possibilidades, novos e maravilhosos equipamentos para alterar os nossos padrões de vida.

Brian Winston não segue esta linha de pensamento tecnofetichista. Apoiado num conhecimento enciclopédico da histórias das tecnologias, pinta um quadro muito diferente da adopção de novas tecnologias do normalmente pintado pelos tecno-utopistas. Não se trata de uma visão catastrofista como as de Virilio ou Weizenbaum; antes, é uma visão realista, que encara a tecnologia em duas vertentes - a tecnológica em si, e a do mercado que as utiliza e estimula, ou aniquila.

A tese de Winston é a de que há um ciclo bem definido na adopção de uma nova tecnologia. Em primeiro lugar, assiste-se ao período de deslumbramento que se segue à invenção de uma nova tecnologia. É o momento em que uma solução procura os seus problemas, altura em que as empresas de nova tecnologia se lançam ao mercado com produtos bem definidos mas que não respondem às necessidades presentes, uma vez que as necessidades que a nova tecnologia poderia suprir ainda não são sentidas. Winston ilustra esta fase com o exemplo das calculadoras mecânicas, conhecidas e criadas desde os tempos do iluminismo mas cuja utilização só realmente se desenvolveram com o surgir das corporações empresariais como entidades jurídicas, que criaram a necessidade de mecanização do espaço do escritório.

A adopção da nova tecnologia raramente segue o padrão apregoado pelos defensores dessa tecnologia. O computador, ferramenta indispensável no nosso dia a dia, mal ia sobrevivendo à sua invenção. Apenas o desenvolvimento das armas atómicas, criando a necessidade de potentes cálculos matemáticos deu o sopro que permitiu à indústria desenvolver-se e eventualmente chegar à era dos entusiastas que construiram a computação como hoje a conhecemos.

Segue-se um período particularmente litigioso, que Winston apelida de lei de supressão de uma tecnologia ou potencial tecnológico. Uma nova tecnologia é ao mesmo tempo uma oportunidade e uma ameaça - oportunidade para novos usos e novas estruturas económicas, e uma ameaça às estruturas económicas instituídas. Aqui, os exemplos máximos estão no desenvolvimento do telefone e da rádio, com fortes litígios em tribunal e movimentos de mercado bolsista que fariam empalidecer os tubarões da nova economia de hoje, e da televisão. A aplicação destas tecnologias foi deliberamente protelada e condicionada por poderes económicos que viam na nova tecnologia uma legítima ameaça à sua sobrevivência.

No periodo seguinte assistimos ao que Winston chama de período de supressão do potencial radical. É altura de limar as arestas da tecnologia, não para a tonar mais eficaz ou avançada mas sim mais de acordo com as estruturas económicas convencionais. Aqui, a história dos telefones, com a sua tradição de monopólios estatais e empresariais é o exemplo máximo de supressão de potencial radical. Num dos muito exemplos que Winston cita encontramos um que nos é particularmente interessante: a dificuldade em fazer chamadas telefónicas de grupo não é uma limitação da tecnologia mas sim uma imposição das primeiras empresas de telefonia e telegrafia para maximizar os seus lucros (e é o nicho que as empresas de voz sobre IP tão bem exploram).

Muitas tecnologias promissoras não atingem o seu potencial graças a esta interferência decisiva das forças da economia. Winston dá-nos como exemplo máximo o fax, existente desde os anos 50 mas ainda hoje uma tecnologia sub-utilizada e que está a ser nulificada pela internet.

Quanto à internet em si, Winston não lhe atribui qualquer do potencial revolucionário que normalmente lhe atribuímos. Antes, Wilson prefere demonstrar que o verdadeiro potencial revolucionário se encontra na rede - essa sim, a verdadeira força transformadora. A Internet é apenas a mais recente tecnologia a fazer uso do potencial da rede, tal como em tempos anteriores o telégrafo, o telefone, a rádio e a televisão. No entanto, o texto original de Winston data de 1998, altura em que a Internet estava quase a tornar-se a força tecnológica avassaladora que hoje é. Hoje, Winston talvez reconhecesse que o carácter libertário da web permite ultrapassar as tentativas de supressão do potencial tecnológico (se algo é possível alguém num qualquer recanto obscuro da internet estáa trabalhar activamente para isso) - e utilizasse as guerra jurídicas sobre propriedade intelectual como o exemplo contemporâneo de como uma indústria ameaçada por uma nova tecnologia utiliza o seu ainda considerável peso financeiro para asfixiar a nova tecnologia. As empresas de telegrafia utilizaram a mesmíssima táctica contra as nascentes empresas de telefones no século XIX.

A tese de Winston é contraditória com as correntes teses de deslumbramento tecnológico que postulam o valor do empreendedorismo no trazer para os mercados de produtos tecnologicamente avançados, num ciclo que se renova continuamente. Antes, aponta para o papel catalizador das forças conservadoras de mercado na supressão e domesticação do potencial das tecnologias. E fá-lo de uma forma enciclopédica, expondo a sua tese alicerçando-a numa minuciosa exploração da história das tecnologias e dos media.



Plano do dia: 8:30 - 12:00, limpeza semanal dos pcs, actualizar site da escola com áreas dedicadas ao magalhães/eescolas e parcerias pedagógicas internacionais, orientar planos e inventários de rede e sistemas para estar preparado para a visita dos técnicos da PT que vêm preparar a instalação da nova rede para a próxima semana (
é o PTE em andamento, timing perfeito com as eleições). 12:00 - 12:45, apoio ao aluno de tutoria. 12:45 - 13:50, almoçar. 13:50 - 14:50, continuar as tarefas de coordenação que eventualmente tenham ficado por fazer de manhã. 14:50 - 16:20, aulas, orientar os alunos em gravação áudio e pesquisa video.

Realidade do dia: 8:20 - 12:00, tratar de alguns pcs da sala tic (ligar windows XPs à rede é uma arte que ainda não domino na perfeição). Desinfectar um pc da sala de professores que amanheceu com um profundo problema wtf (daqueles que nos enchem o ecrã com centenas de janelas de aviso). Finalmente tratar da limpeza aos pcs dos alunos... as aplicações portáveis são uma praga/ideia brilhante. É um jogo do gato e do rato e o gato... sou eu. Pela primeira vez repor o sistema operativo de um magalhães, com algumas pausas na respiração. Já que o tempo e a paciência se foram para o que queria fazer, aproveitar para repor as passwords de admin daqueles portáteis que deixei de lado para fazer isso... em setembro. Descobrir que os portáteis do CRIE têm um überadministrador acessível com alguns truques. E andei eu meses em busca de técnicas/truques e software para crackar as passwords do XP (as minhas competências de pirata são mesmo muito elementares... é outra das razões para me dedicar cada vez mais ao software livre). 12:00 - 12:45, já que estou com a mão na massa aproveitar a presença do tutorando para lhe ensinar uns truques... e instalar o ubuntu num dos portáteis. Funcionou maravilhosamente bem. A ferramenta de partição do instalador do ubuntu, que não deu sinal de vida quando o tentei instalar nos velhos desktops, funcionou na perfeição nestes portáteis. 12:45 - 13:50, decidir deixar-me de tretas e reformatar pelo menos um dos desktops. Sem partições. Adeus XP. A decisão foi facilitada pelo facto de a máquina em questão estar tão lenta que estava de facto inutilizada. Alguns minutos de ansiedade, a ver se a coisa não falhava... e arranque limpinho. Os alunos deram logo pela diferença. Mas o que me deixou agarrado foi a instalação de impressoras. Sabem aquele pincel que é instalar impressoras de rede em windows? Instalar localmente os drivers, atribuir os ips, criar portas tcp/ip e com sorte a coisa corre bem? O ubuntu reconheceu TODAS as impressoras ligadas à rede (algo que a pesquisa de impressoras de rede no XP e Vista nunca me conseguiu fazer) e instalou o driver compatível para a impressora que seleccionei. Grande equipa de desenvolvimento! Apesar de tudo ainda arranjei tempo para dar umas dentadas. 14:50 - 16:20, aula. Aproveitar para criar autenticação de rede para o novo servidor do pc antigo resgatado às reservas arrecadadas para melhorar o parque informático da sala de TIC. As minhas competências de redes em xp ainda não estão apuradas mas pelo menos a coisa ficou a funcionar. Quanto aos alunos, estão autónomos a gravar voz no audacity. 16:20, pausa para cigarro e tempo para atar umas pontas soltas. As pontas-soltas, na era digital, são perfeitas vampiras de tempo.

Anoitece. O fim de semana aguarda-me com a guerra e paz de Tolstoi a pesar na consciência e mesa de cabeceira.

Miss Mafra no XIV Club



Nerd cred: instalar o ubuntu num velho pc a 256 de ram. Falhar. Insistir. Falhar novamente. Perceber o porquê da falha... e corrigir em Windows. Ubuntu instala normalmente, arranca para o ecrã de login. Inserir login e password. Dá erro. Voltar a inserir. Novamente erro. Esqueci-me do nome de utilizador... regressar ao windows, desinstalar o ubuntu (através do wubi) e voltar a reinstalar. Tudo porque me esqueci de apontar o nome de utilizador root do ubuntu que defini na instalação.

Força, riam-se. Também me diverti com a minha estupidez...

Diz-me que inimigo escolhes e eu dir-te-ei quem és.

"É evidente que acredito em conspirações e que posso identificar algumas do Portugal Contemporâneo. A de 24 de Agosto de 1820, promovida pelo Sinédrio. A da Maria da Fonte e da Patuleia que só frutificaram com a Regeneração de 1851. A de 1910, com base nos Jovens Turcos e na Carbonária. A do dezembrismo sidonista de 1917, com os subsídios do latifundiário alentejano do Partido Unionista, avô de um antigo deputado europeu da actualidade. A do 28 de Maio de 1926 que meteu um conspirador de 1910, acabando usurpada pela ditadura das finanças e das forças vivas. A do 25 de Abril de 1974 que foi mobilizada pelo movimento dos chamados capitães."
(...)

"Hoje, é Freeport, Casa Pia e Apito, o prefeito emérito da Congregação da Causa dos Santos, o grupo de pressão LGT e, sobretudo, o sindicato eterno do elogio mútuo. Fica a explicação conveniente para cada um: a campanha negra contra Sócrates; a cabala contra o PS; o anticomunismo primário; a doença infantil do esquerdismo; a antinação; os revisas; os fachos; as pinoquídas dos jotas e dos jornais partidários; as denúncias da espionite pidesca com periscópio de fora. Por mim, só sei que nada sei. Mas que a hidra da corrupção leva a que o crime compense, não tenho dúvidas. Não acredito em teorias da conspiração, mas que as há, as há. O mundo da razão de Estado e da compra do poder continua a mover-se. E sorrio com estas volutas de uma crise mental. Diz-me que inimigo escolhes e eu dir-te-ei quem és..."

Sobre o tempo que passa

Just kidding!


Dexter

Dexter Morgan, membro do departamento forense de uma divisão policial americana, e com um código "ético" muito restrito, é o antípoda do herói justo e estereotipado das séries habituais na televisão.
Fruto de uma infância marcada pelo assassinato brutal da sua progenitora, Morgan canaliza o seu ímpeto natural para matar em direcção a criminosos que escapam, pelas mais variadas razões, ás malhas da justiça.
Aparentemente um cidadão exemplar, Dexter, perito em analisar cenários de crimes, utiliza todo o seu conhecimento científico em prol do "código" e da sua execução minuciosa.
Violadores, assassinos, pedófilos e outros derivados que, por algum motivo processual, de investigação ou de instrução, se esgueirem ás teias da lei, são meticulosamente rasurados da acta de "pessoas vivas". Porque, convenhamos, qual é a reinserção possível e justa, por exemplo, para um homem que violenta sexualmente, de forma reincidente, uma ou várias crianças de dois e três anos!? Ideias?
Quem teve oportunidade de ver a primeira série de episódios no Canal 2 da RTP, há pelo menos um ou dois anos atrás, ficou viciado com certeza – tal como eu fiquei! E vociferou raios e coriscos quando, sem explicação aparente, as séries seguintes não despertaram o mesmo interesse na direcção da Rádio Televisão Portuguesa (nas Américas a quarta temporada será exibida em Outubro deste ano).
«Matar é errado.» De acordo.
«Ninguém tem o direito de tirar a vida a outro ser humano, seja por que razão for!»... Bom, depende. Tenho uma consciência, possivelmente, demasiado liberal para seguir esta máxima à risca. E talvez por isso a série "Dexter" me tenha agradado tanto.
Humores negros e astúcias à parte, este psicopata é um fofo. É impossível não nutrir uma titânica admiração por ele. Bem como não torcer, de episódio em episódio, para que o "justo" - que neste caso até mata e desmembra - chegue ao fim de mais um novelo de peripécias incólume.
Sempre adorei anti-heróis e não posso deixar de transpor para "Dexter" uma nesga do que vai faltando nas sociedades de hoje: verdadeira justiça.

Ao ver como certos "intocáveis" se passeiam de nariz no ar, pela rua, depois de terem destruído a vida a muita gente, arrependo-me de não ter tido outro aproveitamento nas aulas de biologia e química; de não ter concorrido para o departamento forense da Polícia Judiciária; de não poder forrar um quarto a plástico e "dar asas à imaginação" no corpo de um child molestor qualquer, e pô-lo ao sabor da corrente Atlântica, uniformemente distribuído em cinco ou seis sacos de plástico.



A primeira, segunda e terceira séries, já estão disponíveis para donwload ilegal na internet.
Só me falta vazar um olho e serrar uma perna, para ser um verdadeiro saqueador de naus...