OLPC XO Sugar
Sempre que falo no Magalhães recordo que este projecto é antes de mais uma oportunidade perdida - a de utilizar um aparelho concebido de raiz centrado no interesse educativo e lúdico da criança, seguindo o trabalho dos pedagogos construtivistas como Seymour Papert e teóricos como Marvin Minsky (esse mesmo), coordenado por Negroponte, o Sr. MIT. Normalmente mostro umas imagens do OLPC e falo da importância do projecto - primeiro portátil a preço baixo (é o famoso projecto de portátil dos 100 dólares), projecto de desenvolvimento, filosofia de colaboração, software livre e aberto. Finalmente, graças à maravilha da virtualização, consegui experimentar o Sugar, o sistema operativo no centro do projecto OLPC. E finalmente percebi o conceito: o OLPC não está concebido à volta do que o computador pode fazer, mas sim do que a criança pode fazer com o computador. Fica aqui o vídeo de uma sessão no OLPC virtual.
As decisões já foram tomadas e os magalhães já estão nas mãos de milhares de crianças (num processo deveras atribulado). Pela brilhante e importante decisão do governo, estimulamos as crianças não a desenvolverem o seu potencial mas a aprenderem o credo da confiança cega na inevitabilidade de ser cliente da microsoft.
…

Brincadeiras nocturnas com modelação booleana (lógica de exclusão).
Manhã. Duas aulas, perdidamente analógicas de modelação tridimensional em pasta de modelar. Não é das minhas actividades favoritas, graças ao potencial de sujidade, mas os alunos adoram. Clube digital: não posso exigir muito de alunos que frequentam um clube à hora de almoço. Na prática é um atl glorificado. Tutoria: o meu tutorando, que gosta mesmo é do windows, mostrou-se capaz de instalar programas através do synaptic. No caso, o wine para poder correr um jogo para windows. Sucesso com o wine, sucesso com a emulação do jogo. Infelizmente, os ubuntus estão a correr em velhas máquinas com 256 de RAM (a sério, e funcionam). Aguenta o so, aguenta o firefox, algumas pens e openoffice. Jogos intensivos nem por isso. Após as aulas, detectei ao fazer uma verificação aos ubuntus da escola que a nova versão do sistema está disponível através das actualizações. Nem pensei duas vezes: toca de actualizar do 8.10 para o 9.04 via net. Útil, mas a escolha do momento foi pouco inteligente: uma hora e meia para descarregar todos os ficheiros, mais uma hora para instalar. Teria sido mais rápido com um live cd. Resultado: mais um dia em que a única hora prevista foi a de chegada à escola... às 8:30 em ponto, nem deu para ir buscar um café à máquina antes de entrar na sala.
Portugal2009: a ditadura dos pobres de espírito e o julgamento kafkiano e pidesco…de 3 crianças de 7 e 8 anos
Para ler aqui uma historia de um processo no mínimo ridículo, que a mim Pai de uma criança de 8 anos me choca.
Este “processo” vai de encontro aquilo que hoje em dia se passa nas escolas do ensino básico, nunca se ouviu tanto falar de hiperactividade, psicólogos, criança disfuncionais, défice de atenção, etc.
Está tudo doido!
Vamos deixar ou putos serem putos, são crianças, fazem asneiras, tem energia a” dar com um pau” e para muitos estarem fechados numa sala de aula não é fácil (mesmo para nós adultos!), qual é o problema afinal?
Quando eu andava na escola primária a malta sujava-se, andávamos à porrada, corríamos atrás das miúdas, jogávamos à bola onde grande parte das vezes alguém era sempre o ultimo a ser escolhido porque não sabia da “arte” (ok, confesso era eu!), algumas vezes andava à palmada e outras vezes ao bate pé (lembram-se?), hoje em dia se um puto andar à palmada e jogar ao bate pé tem logo que aturar Psicólogos, Policias, Professores, Pais, Assistentes Sociais, Pedagogos, Padres, Bombeiros e em alguns casos Televisões, Rádios e Jornais!
Tudo isto faz parte do crescimento, agora querem por os putos a tomar Ritalina para andarem calmos, querem que vão aos Psicólogos onde lhes fazem grandes análises de personalidade, tenham paciência, quem precisa de tratamento em grande parte dos casos são os Pais ou os Professores!
Este “processo” vai de encontro aquilo que hoje em dia se passa nas escolas do ensino básico, nunca se ouviu tanto falar de hiperactividade, psicólogos, criança disfuncionais, défice de atenção, etc.
Está tudo doido!
Vamos deixar ou putos serem putos, são crianças, fazem asneiras, tem energia a” dar com um pau” e para muitos estarem fechados numa sala de aula não é fácil (mesmo para nós adultos!), qual é o problema afinal?
Quando eu andava na escola primária a malta sujava-se, andávamos à porrada, corríamos atrás das miúdas, jogávamos à bola onde grande parte das vezes alguém era sempre o ultimo a ser escolhido porque não sabia da “arte” (ok, confesso era eu!), algumas vezes andava à palmada e outras vezes ao bate pé (lembram-se?), hoje em dia se um puto andar à palmada e jogar ao bate pé tem logo que aturar Psicólogos, Policias, Professores, Pais, Assistentes Sociais, Pedagogos, Padres, Bombeiros e em alguns casos Televisões, Rádios e Jornais!
Tudo isto faz parte do crescimento, agora querem por os putos a tomar Ritalina para andarem calmos, querem que vão aos Psicólogos onde lhes fazem grandes análises de personalidade, tenham paciência, quem precisa de tratamento em grande parte dos casos são os Pais ou os Professores!
Zombie Lake

IMDB | Zombie Lake
No escalão dos piores filmes de zombies a concorrência pelos últimos lugares é grande. Este sub-género do cinema de terror raramente se destaca pelo brilhantismo dos seus filmes, salvaguardando as devidas excepções. A larga maioria dos filmes é classificável algures entre o mediocre, o péssimo e o sofrível. Mesmo assim, há filmes que ainda conseguem baixar a fasquia.
É o caso deste Zombie Lake, filme inclassificavelmente mau que por isso se torna divertido de ver. A premissa até promete: um pelotão de soldados alemães assombra um lago perto de uma pequena vila francesa. Há até um flashback ao passado, na forma de uma história de amor entre um dos soldados e uma jovem francesa salva de um bombardeamento. O filme podia ser interessante.
No que realmente interessa o filme falha redondamente. Os temíveis zombies não passam de tipos molhados vestidos com uniformes da wermacht e maquilhagem verde que se dissolve na àgua. Não deixa de ser divertido ver os "zombies" agarrar as suas vítimas debaixo de àgua sem esquecer de vir à tona para respirar. Grande parte das vítimas são jovens raparigas que gostam de aproveitar o lago para uns mergulhos que deixam de lado os fatos de banho, em cenas que compõem uma parte substancial do filme. Os efeitos especiais são risíveis - a maquilhagem verde que se dissolve na àgua, as explosões em que os actores saltam primeiro, rebolam e depois é que se vê uma misera núvem de fumo.
A minha atracção pelo sub-género zombie envolve uma mistura entre as profundas questões levantadas por filmes como os de Romero, o gozo adolescente por efeitos especiais gore e uma certa atracção por ideias apocalípticas. Zombie Lake é um filme que escapa incólume a quaisquer destas ilações.
Atchim!
Os jornalistas portugueses estão mesmo em maré de azar, já não basta terem esgotado tudo o que havia no famoso DVD do caso Freeport e os processos com que José Sócrates os “persegue”, a gripe suína já se espalha por Espanha e por cá nem se consegue ouvir um espirro. Há menos filas nas urgências do que na época das correntes de ar.
Os nossos jornalistas bem se esforçam, vão ao aeroporto sempre que está para chegar um avião com turistas mas o azar é mais do que muito, o nosso turismo é pouco dado à arqueologia azeteca e os portugueses vindos daquelas bandas chegam bronzeados e com ar de quem andou a beber Margaritas com a água até ao joelho, bem, no pressuposto de que a maré estava vazia.
O melhor que conseguiram foi encontrar uns quantos turistas nas partidas que queriam que as agências de viagens lhes devolvessem o dinheiro pois o H1N1 não constava no pacote que tinham comprado. O momento mais dramático foi protagonizado por um recém-casado que dizia indignado porque depois de ter dado o laço não queria dormir com a esposa mais o H1N1, isso de fazer amor aos espirros não dá muito jeito.
A TVI ainda teve sorte, lá ficou a saber que a linha Saúde 24 estava saturada, lá entrevistou um representante corporativo a contar das suas mágoas. Mas isso nem é novidade, todas as desgraças naturais que acontecem no país se devem às más condições de trabalho no Estado.
Agora resta esperar que por um fim-de-semana prolongado, pode ser que um dos nuestros hermanos traga o H1N1 n bagagem e o espalhe bem pelo país. Se isso suceder os nossos jornalistas andarão excitados até que chegue a época dos incêndios ou até à próxima entrevista do senhor Palma do sindicato dos magistrados do Ministério Público.
Até lá teremos que ter muito cuidado, se alguém se lembrar de dar um espirro é muito provável que na esquina seguinte seja rodeado pelos jornalistas e carros de exteriores das televisões. Na sexta-feira será dado como morto no jornal nacional e a culpa será de José Sócrates porque não distribuiu atempadamente os Tamiflu que estava guardado num armazém.
No Jumento
Os nossos jornalistas bem se esforçam, vão ao aeroporto sempre que está para chegar um avião com turistas mas o azar é mais do que muito, o nosso turismo é pouco dado à arqueologia azeteca e os portugueses vindos daquelas bandas chegam bronzeados e com ar de quem andou a beber Margaritas com a água até ao joelho, bem, no pressuposto de que a maré estava vazia.
O melhor que conseguiram foi encontrar uns quantos turistas nas partidas que queriam que as agências de viagens lhes devolvessem o dinheiro pois o H1N1 não constava no pacote que tinham comprado. O momento mais dramático foi protagonizado por um recém-casado que dizia indignado porque depois de ter dado o laço não queria dormir com a esposa mais o H1N1, isso de fazer amor aos espirros não dá muito jeito.
A TVI ainda teve sorte, lá ficou a saber que a linha Saúde 24 estava saturada, lá entrevistou um representante corporativo a contar das suas mágoas. Mas isso nem é novidade, todas as desgraças naturais que acontecem no país se devem às más condições de trabalho no Estado.
Agora resta esperar que por um fim-de-semana prolongado, pode ser que um dos nuestros hermanos traga o H1N1 n bagagem e o espalhe bem pelo país. Se isso suceder os nossos jornalistas andarão excitados até que chegue a época dos incêndios ou até à próxima entrevista do senhor Palma do sindicato dos magistrados do Ministério Público.
Até lá teremos que ter muito cuidado, se alguém se lembrar de dar um espirro é muito provável que na esquina seguinte seja rodeado pelos jornalistas e carros de exteriores das televisões. Na sexta-feira será dado como morto no jornal nacional e a culpa será de José Sócrates porque não distribuiu atempadamente os Tamiflu que estava guardado num armazém.
No Jumento
Tratolixo – é o tratas…
A Tratolixo, uma empresa municipal controlada por quatro Câmaras nas mãos do PSD - Sintra, Cascais, Oeiras e Mafra - era suposta tratar dos resíduos sólidos urbanos.
Mas era tudo treta - não tratava!
A ponto de ter originado um crime ambiental, aparentemente “o mais grave do género registado no país”, segundo o Secretário de Estado do Ambiente: a contaminação de solos e de águas subterrâneas provocada pela deposição descontrolada de resíduos na estação que era suposta ser “de tratamento” da Tratolixo, em Trajouce (Cascais).
Ficamos a aguardar que quem de direito - o Ministério do Ambiente, o MP e tutti quanti - actue criminalmente contra quem é responsável pelo “grave crime ambiental”, se este se confirma.
Mas, a avaliar pelas notícias na imprensa, mais provável é darmo-nos por contentes se a Tratolixo se dignar tratar de apresentar novos planos para tratar o que não tratou, nem trata, além de descontaminar o que contaminou. Planos que metem contratos com empresas de “spinning” mediático e aconselhamento juridico, tão precisos, tão científicos, tão tratados que a Tratolixo estima poder orçar entre 2,5 e … 10 milhões de euros.A pagar por quem ? pelos contribuintes dos 4 municipios de gestão camarária PSD que contrataram a Tratolixo e agora tratam de assobiar para o ar.
A Tratolixo não trata do lixo, mas os representantes do PSD nestas 4 autarquias tratam de nos lixar.Para quê pedir à Dra. Ferreira Leite mais demonstrações do “PSD de verdade”?
Por: Ana Gomes
Mas era tudo treta - não tratava!
A ponto de ter originado um crime ambiental, aparentemente “o mais grave do género registado no país”, segundo o Secretário de Estado do Ambiente: a contaminação de solos e de águas subterrâneas provocada pela deposição descontrolada de resíduos na estação que era suposta ser “de tratamento” da Tratolixo, em Trajouce (Cascais).
Ficamos a aguardar que quem de direito - o Ministério do Ambiente, o MP e tutti quanti - actue criminalmente contra quem é responsável pelo “grave crime ambiental”, se este se confirma.
Mas, a avaliar pelas notícias na imprensa, mais provável é darmo-nos por contentes se a Tratolixo se dignar tratar de apresentar novos planos para tratar o que não tratou, nem trata, além de descontaminar o que contaminou. Planos que metem contratos com empresas de “spinning” mediático e aconselhamento juridico, tão precisos, tão científicos, tão tratados que a Tratolixo estima poder orçar entre 2,5 e … 10 milhões de euros.A pagar por quem ? pelos contribuintes dos 4 municipios de gestão camarária PSD que contrataram a Tratolixo e agora tratam de assobiar para o ar.
A Tratolixo não trata do lixo, mas os representantes do PSD nestas 4 autarquias tratam de nos lixar.Para quê pedir à Dra. Ferreira Leite mais demonstrações do “PSD de verdade”?
Por: Ana Gomes
The Story Of Art

E.H. Gombrich (2008). The Story Of Art. Londres: Phaidon.
The Gombrich Archive
Phaidon | The Story Of Art
Há uma tentação forte de ver a história da arte como uma sucessão de revoluções, em que os artistas de cada época rejeitam o legado dos seus antecessores na busca incessante de novas formas de expressão, visão essa que culmina na explosão de ismos que o século XX nos legou. A busca incessante de novas formas de expressão e representação é uma constante, mas a visão de rejeição é redutora face à linha contínua de desenvolvimento das artes. Gombrich mostra-nos, de forma encantadoramente simples mas com uma argumentação férra, que a história da arte é uma linha contínua de busca de soluções aos desafios da representação e expressão. Épocas que tradicionalmente são vistas como retrocessos (caso da idade média) são mostradas como vibrantes passos em frente.
Enquanto o papel do artista muda conforme a sociedade em que este se insere, a busca incessante por novas soluções faz evoluir a estética. Note-se que a imagem do artista como intelectual solitário que no seu atelier produz obras de cariz pessoal é muito recente. Ao longo da história o artista é essencialmente um artesão, considerado como tal, algo que só começou a mudar com o esforço que os artistas do renascimento em legitimizar a arte como uma ocupação com valor intelectual e que se cimentou num século XIX em que a invenção da fotografia retirou às restantes artes visuais a função de representação do real - ou antes, como Gombrich também demonstra, de uma visão necessariamente artificial e condicionada do que constitui o real.
A mais apaixonante conclusão de Gombrich, com a qual encerra esta imprescindível obra de divulgação, é a ideia que não existe tal coisa como Arte, mas sim homens e mulheres que, dotados da capacidade de equilibrar formas e cores, não se contentam com soluções simples e tentam sempre procurar formas sinceras de responder a um dos problemas que acompanha o homem desde a noite dos tempos, desde as primeiras mãos pintadas na rocha fria das cavernas.

