Planeta Mafra

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O calendário aponta para o inverno mas o tempo sabe a verão. No entanto o mar não se engana.

À Prova de Morte



IMDB | Death Proof

O gozo que deve ter dado participar neste filme toca provavelmente as raias do obsceno. Death Proof é um daqueles filmes que não se leva a sério, nem por quem o fez nem por quem o vê, o que o torna numa obra muito divertida. O filme é uma homenagem de Tarantino a tudo o que é filme de série B, a todos aqueles épicos mal filmados, com argumentos ilógicos e péssimos actores que agraciaram a paisagem dos tempos do VHS. Death Proof mistura tudo num cocktail estilizado: cinema de Hong Kong, filmes apocalípticos italianos, pastiches de cinema de acção e um certo fascínio por automóveis clássicos e perseguições a alta velocidade.

Os actores são fieis ao espírito do filme. Sem necessidade de agir com a seriedade de um filme que se enquandre mais nos parâmetros do normal, e sem precisar de puxar à lágrima como nos melodramas baratos que fazem as delícias das audiências, a sua representação mostra um enorme prazer em esticar os limites das personagens estereotipadas e unidimensionais. Prova disso é Kurt Russel, no papel principal de Stuntman Mike, o vilão (ou anti-herói?) de Death Proof, a levar a sua actuação ao absurdo histriónico - precisamente o espírito do filme.

Death Proof resume-se em poucas frases. Inicia-se numa cidade do Texas, onde quatro amigas vão terminar uma noitada por entre o metal retorcido de uma colisão frontal provocada pelo inefável Stuntman Mike, dono do veículo à prova de morte. A cena da colisão é o climax do filme, que segue em crescendo até ao momento de violência extrema (com Greg Nicotero nos efeitos especiais pode-se esperar muito sangue e tripas, e Tarantino mostra-nos a colisão de diversos pontos de vista, cada qual o mais mórbido) e vai decrescendo até ao final inconclusivo. Termina com o castigo do assassino, após uma perseguição a outras três amigas no seu carro clássico onde o caçador se transforma em presa.

Pouco profundo no conteúdo, o filme revela-se no estilismo, fiel ao acaso descuidado dos filmes B. Parte do filme aposta num visual de celulóide gasto, com cores exageradas, parte resvala para o preto e branco sem ligação com o argumento, e termina com um trabalho de câmara aparentemente deslavado, sem vivacidade. Os erros - intencionais - são muitos, com imagens que se repetem (como se a fita saltasse), enquadramentos que ficam suspensos e dessincronizações de som. Mas é esse o objectivo do filme, homenagear todo o mau cinema low budget, em que a cena tem que ficar pronta à primeira mesmo que os actores representem mal, o cenário cai ou a fita se acabe antes do final da gravação. Tão mau, tão mau que se torna bom, como se costuma observar sobre este género de filmes. E sendo da autoria de Quentin Tarantino, ainda podemos esperar os seus famosos diálogos carregadinhos de expressões de fazer corar um carroceiro, bem como uma banda sonora retro e revivalista impecável. Death Proof é o filme mais divertido e menos pretensioso com que me cruzei nos últimos tempos.

Nothing to see here. Move along.

Recolha de assinaturas

Está a chegar ao fim a recolha de assinaturas para esta petição assim solicita-se a todos os que tenham folhas com assinaturas que entrem em contacto para que todas as assinaturas sejam reunidas, contadas e entregues o mais breve possível na Assembleia da República.

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A derrota e a vergonha

Às 8 da manhã do dia 21 de Junho de 1942, as tropas britânicas sitiadas na fortaleza de Tobruk, no norte de África, rendiam-se às divisões comandadas por Erwin Rommel, após terem sofrido baixas consideráveis. No seu quartel-general da Alemanha, Hitler rejubilou, entregando a Rommel o bastão de marechal. Ao receber a má noticia em Washington, onde conferenciava com o presidente Roosevelt, Churchill desabafou: “A derrota é uma coisa, a vergonha é outra.” Os britânicos tinham sido derrotados mas não deviam envergonhar-se. Tinham-se batido até ao limite das suas forças. Um ano mais tarde, recuperariam Tobruk.
A que propósito me lembrei deste emblemático episódio da II Guerra Mundial? É que ele constitui uma exemplar lição de vida. A desonra é perder sem sequer dar luta. Vale para todas as épocas e para as mais variadas circunstâncias – e também na política, que é a continuação da guerra por outros meios.

Tirado daqui.

Media

Que sorte, deve ter pensado a jornalista destacada para cobrir esta manhã a escola de Lisboa a que pertencia a criança que faleceu por complicações devidas à gripe A. Para lá do bulício habitual das entradas na escolas, reuniam-se muitos pais e encarregados de educação preocupados. O grande momento foi o discurso de uma familiar da criança falecida, exortando os pais a não deixarem as suas crianças entrar na escola, num apelo catastrófico e catastrofista. Foi um momento raro, mediatizado e a acontecer em directo e tempo real, instantâneamente disponível em todo o país nos ecrãs de televisão. Foi um puro momento de realidade aumentada pelos media.

Pedro Passos Coelho nos Negócios da Semana

Pedro Passos Coelho esteve novamente muito bem na entrevista que deu a José Gomes Ferreira na Sic Notícias. Convém ouvir que diz sobre o TGV e quais as melhores alternativas.

Sobre o PSD convém ter em conta a serenidade das suas afirmações. No entanto, temo que Passos Coelho também não consiga unir o partido quando ganhar, não por não o querer mas porque existem demasiados caciques anti-Passos Coelho. Aliás, este tem sido o problema do PSD nos últimos anos, os ditos barões andaram sempre mais preocupados em ser anti-alguém do que pró-alguma coisa.

É impossível um partido ter sucesso e ser útil ao país quando anda mais preocupado com guerras internas, em excluir pessoas e a fazer oposição destrutiva do que a debater ideias e a fazer propostas alternativas de governação.


Espirito de equipa!