Planeta Mafra

Do concelho para o mundo!

Rochedo e Nuvens, Peniche (Mar/2008)


Praia e Rochas, Cambelas (Jan/2008)


Interagir/Criar



Como defensor da introdução e utilização do computador na sala de aula, este tipo de imagens assusta-me sempre. É uma visão bonita, o professor sorridente que explica a matéria apoiado por um recurso interactivo projectado no equipamento de ar moderno para uma plateia de alunos atentos. É giro, mas não consigo perceber qual a diferença fundamental entre um quadro interactivo e um quadro de giz. Os recursos podem ser mais avançados, o multimédia é utilizado, mas o paradigma educativo é o mesmo.



Já esta imagem é interessantíssima. É uma aluna a preparar um trabalho no seu telemóvel numa escola americana. Trabalha com autonomia e utiliza um equipamento normalmente visto como uma ameaça ao ambiente de uma aula. A tecnologia não é utilizada como um meio de transmissão de saber, mas como um meio de construção de conhecimento.

Dito isto, não sou radical. Por muito que goste das pedagogias construtivistas não deixo de dar valor à transmissão de saberes. No complexo processo que é a aprendizagem todas as estratégias são úteis. Mas preocupa-me a visão estreita da tecnologia na sala de aula com apoio à transmissão de conhecimentos sem que se explorem outras vias de utilização. Os quadros interactivos são muito interessantes e possibilitam muitas formas de exploração, mas não são a única tecnologia passível de ser integrada.

Mitchel Resnick reflectiu que “Children have many opportunities to interact with new technologies – in the form of video games, electronic storybooks, and “intelligent” stuffed animals. But rarely do children have the opportunity to create with new technologies”. É na segunda vertente que a tecnologia na escola pode oferecer mais aos alunos, oferecer-lhe de forma estruturada e abrangente aquilo que já fazem individualmente, agora potenciada com enquadramento pedagógico. Qualquer miudo hoje sabe gravar um vídeo no telemóvel e colocá-lo no YouTube (já para a maioria dos professores esse é um processo arcano e incompreensível). Cada vez mais me pergunto porque não aproveitar essas capacidades, integradas na construção de conhecimento.

A febre da bola!

Bancos e porta, Ericeira (Mar/2010)


Planta, Ponte de Lima (Ago/2009)


Nota

A frustração sentida quando o cérebro visualiza uma ideia que se pretende expressar através de um meio de expressão, mas a aptidão falha e o resultado fica aquém do pretendido é muito desmotivante na aprendizagem artística. O digital permite aos alunos menos dotados o desenvolverem as suas aptidões sem este factor. Utilizando o computador a flexibilidade de trabalho é muito grande. As experiências são livres, rápidas e sem desperdício de materiais. Se um trabalho não estiver bem conseguido ou tiver erros é fácil de o alterar. Esta flexibilidade não está presente em trabalhos desenvolvidos com técnicas tradicionais.