Planeta Mafra

Do concelho para o mundo!

Poupar? Oh meus amigos…

É fantástico ver actualmente as “dicas para poupar” e sugestões de “como sobreviver à crise” que, por estes tempos vão surgindo por aí em revistas, jornais e televisão.

Acredito que há muito boa gente que, habituada a certas mordomias desde sempre, não consiga ir ao supermercado e gastar apenas 16 euros num saco de compras semanal, abdicar das dezenas de canais por cabo ou deixar de ir jantar fora e ao cabeleireiro todas as semanas.

Apetece-me dizer…querem dicas? Perguntem-me a mim que desde que nasci ouço dizer que “temos que poupar” ou “’tá crise…”.

Humpf!

Se quiserem até organizo umas palestras. Gratuitas? Não. Sabem, é que anda por aí uma crise!...

Não é tão óbvio que, para poupar, se deve tomar duche rápido, fechar a torneira enquanto se ensaboa o corpanzil e desligar todas as luzes que não são necessárias? (É que isto já me começa a soar a estupidez de alto grau…)

Conhecem o local?



É a Ribeira D'Ilhas no início desta semana...invadida pela força da maré.

Coisas que nem devia de escrever, mas hoje escrevo.

Eu pago (pagamos todos) na factura da água (julgo eu) um imposto destinado à recolha e tratamento de resíduos. Acho bem. Não acho nada bem é sermos bombardeados (e ainda bem) praticamente todos os dias com apelos à separação de lixo, ao consumo moderado de energia, de água, e por aí fora, quando, ao fim e ao cabo, quando se necessita de ‘despachar’ uns quantos metros cúbicos de esferovite, não há ninguém que o faça com o dinheiro extra que pago através da tal factura do início da conversa.

Os serviços habituais, disseram-me, “não recolhem esse tipo de resíduos” porque, também me disseram, “é considerado resíduo industrial”. A solução é pedir à empresa que faz a recolha diariamente à custa do imposto que pago, que o faça. Mas aí, terá de ser pago como um serviço extra.

Tudo bem, tudo bem. E que é que demove o velho proprietário de lançar fogo àquela merda toda que até é inflamável, tóxica e mais não sei o quê?

Há coisas que…me amolentam seriamente.

“És Zeferino?”

A cada canto que vou, arrisco-me sempre, e seriamente, a cruzar-me com alguém da minha família. É impressionante como os Zeferinos podem quase invadir este concelho e formar uma casta especial.

Já conheci um primo através de amigos, cujos pais são sobrinhos da minha avó. São Zeferinos.

Já tive um forasteiro cavaleiro em minha casa que descobriu ser meu familiar depois de ter reconhecido a carrinha do meu pai comprada há mais de dez anos ao avô dele. “Páh, aquela carrinha era do meu avô! Queres ver que ainda somos primos?”. “O meu pai comprou-a a um tio nosso que não sei o nome…”. “Pois, foi ao meu avô que é o Zeferino!”

Já fiquei a saber que um vizinho da beira do mar é primo da minha mãe cujo pai faleceu no dia em que fiz 16 anos e chorei baba e ranho por a minha mãe não me ter deixado ir à matiné porque “morreu um tio nosso”, e eu, triste dizia…”mas eu nem o conhecia!”. Era Zeferino.

A última foi na festa da freguesia. A uma miúda ao meu lado perguntei: “Olha, a tua avó não trabalha no Centro de Saúde? O teu avô chama-se A.? Vivem ou viviam na Vila Velha? E a tua vizavó não é T.? De Monte Godel? Pois…são Zeferinos. Olha, somos primas!”.

Zeferinos, sempre! (já não apanhei foi o nome, mas ficou o Sousa dos carrapetas da zona do Zambujal e o Ricardo de Penegache)

Derrotas…

«Carlos Queiroz sublinhou que Portugal perdeu por 1-0 frente "à segunda melhor equipa do ranking da FIFA e à actual campeã europeia".»

E pensa-se por aí: "Amigo, mas foi contra a Espanha, amigo, a ESPANHA! Nem que fosse contra a Conchichina, agora, a Espanha....."

José Saramago.

Não quero saber de achincalhices em torno do funeral de José Saramago. Nem de boatos, dores de cotovelo ou dissertações das mais inúteis sobre a não-presença do Presidente nas cerimónias. Que mesquinhez a nossa! A de nos preocuparmos com politiquices do ‘arco da velha’. Saramago detestava esse tipo de conversa oca.

Ainda ontem me diziam…”esse gajo, o Saramago, a mim não me diz nada de nada”…

…Partiram-me o coração com essas palavras e fizeram-me agarrar na expressão “falta de capacidade intelectual” para descrever muita gente que por aí anda e que não possui essa característica em quantidade suficiente para interpretar uma única frase de Saramago.

Mesmo apesar de não ter lido o Memorial do Convento por o achar enfadonho, e de não ter avançado na leitura do Ensaio Sobre a Lucidez pelo mesmo motivo…e ainda mesmo apesar DISTO, eu digo aqui que gosto dos escritos de Saramago.

No início de cada Junho…


A vida sofre um congelamento automático um dia antes assim que sais do teu local de trabalho para um fim-de-semana que, em situações normais, seria um dos primeiros de praia e caracóis ao sol.


Deixas de saber o que se passa por aí e no mundo. E deixas até de te preocupar com os problemas banais da tua vida. (Ao longo do fim-de-semana estes ainda tentam recuperar o seu lugar no teu cérebro mas são atropelados por uma amálgama de sentimentos e preocupações que nada têm a ver com a tua vida diariamente. Ele é o número de grades de cerveja que já se foram, é a composição do molho com que se fazem as bifanas, é a louça que nunca mais acaba, e as gentes, esfomeadas que esperam e gritam contigo por estarem quase a desesperar).


Durante quatro dias o corpo move-se alimentado a tabaco e a álcool. Normalmente cerveja preta ou sangria, depende da colheita do ano.


E no fim…faltam os obrigados e os reconhecimentos, principalmente de quem está mais próximo de ti nos restantes 362 dias do ano. Compreende-se. Afinal, quem é que me consegue aturar por estes dias?


“Dá-me meio copito de sangria, se faz favor…”


E lá foi mais uma! Das melhores de sempre.

Há festa na aldeia..


...e é só ir!