Por Sónia Ricardo a 11 de Janeiro de 2010
Janeiro branco de frio e granizo.

Fevereiro com tardes de 'montadas' (saudades...).
Março de sessão fotográfica na Ribeira d'Ilhas.
Abril com um mar tão tranquilo por aqui.

Maio de passeios a cavalo com o 'Salazar'.
Junho de descobertas bizarras em Vila Nova de Milfontes.

Julho de ir a Óbidos à Feira Medieval
Agosto de praia.

Setembro, o mês em que o Cardeal veio cá abrir a igreja.

Outubro. 'Dança na Montanha' (Barragem Marechal Carmona)

Outubro de muito calor na Guarda.

Novembro de alguma lama em Portalegre.
Dezembro de ir apanhar musgo para o Presépio.
Por Sónia Ricardo a 4 de Janeiro de 2010
É impressionante como depois da tempestade de 23 de Dezembro de 2009, pela primeira vez, pensei que a bonança não viesse. Por cá, o vento fez-nos ver a vida com outro olhar. Mais atento, cuidado, prudente e com mais respeito por esta Natureza que nos pariu e nos há-de levar.
Por Sónia Ricardo a 10 de Dezembro de 2009
Às vezes tenho medo de me perder. De me deixar levar. E de dar por mim a escrever ‘publicamente’ o que não devo. Ou a vangloriar-me virtualmente por algo que fiz na minha pacata vida. E isso é tão mau. É pobre de espírito.
Mas o meu espírito é também, por vezes, pobre porque o faço de vez em quando.
Falo das redes sociais. Esse mundinho horripilante. E o que está aqui escarrapachado neste texto é exactamente quase tudo o que penso. Está bom, não está?
«Tal como já aconteceu noutras modas, as pessoas estão a confundir o Facebook com a própria vida, e a própria vida com o Facebook. Já não sabem o que é vida, e o que é Facebook. Há quem diga “Bom dia” no Facebook, mal acorde. Há quem diga “Boa noite e até amanhã” no Facebook antes de se ir deitar, não vão os 426 amigos tomá-los por mal-educados. (…)
Duas pessoas cruzam-se na rua. Antes não se cumprimentavam, só acenavam, porque se conheciam apenas de vista. Agora? Já são amigos no Facebook, portanto param, cumprimentam-se e ficam a falar dos quizzes que fizeram ultimamente. “Decidi descobrir que ingrediente culinário sou eu, o resultado foi margarina!”.
As pessoas falam do Facebook como se fosse alguma espécie de entidade divina que regula a vida.
(…)
O problema da tecnologia é que toda a gente pode partilhar com extrema facilidade o que tem para dizer. Desculpem, mas “Toda a gente” é demasiado abrangente. Tanto para o que os meus ouvidos estão dispostos a ouvir, como para o que os meus olhos estão dispostos a ler.»
Luís Franco-Bastos
Crónica publicada no Mundo Universitário
Por Sónia Ricardo a 7 de Dezembro de 2009
Por Sónia Ricardo a 20 de Novembro de 2009
Ontem à noite lembrei-me do novo residente que diz que quer ser saloio. Já tem no seu quintal, na ponta da urbanização azul, algumas árvores de fruto, tomateiros, espinafres e outros legumes. Já distribuiu e ofereceu alguns aos vizinhos. Ao fim de semana adora uma bela patuscada e perde-se na conversa com os novos amigos saloios que já o levaram a passear de charrete e à pesca. Desentorpe as pernas de bancário aos domingos de manhã numas voltas de bicicleta pela aldeia e até se ri quando vê bostas de cavalo na rua em frente do seu portão. Mas houve um dia em que a sua pretensão de ser saloio caiu pela encosta abaixo. Um dia, era quase hora de almoço. E ele disse ao vizinho: “Olha, desculpa lá mas hoje não posso porque tenho que dar um saltinho a Lisboa”.
“Um saltinho??? Páh, assim não podes ser saloio! Saloio que é saloio, quando tem que ir a Lisboa, sai de cada às seis e meia da manhã para lá estar às dez…não vá perder-se na cidade…”.
Por Sónia Ricardo a 18 de Novembro de 2009
Por Sónia Ricardo a 9 de Novembro de 2009
O Ti’D. surpreendeu-se e deu uma gargalhada ao saber que eu também não gosto de ficar muito longe do mar, muitos dias sem o poder ver. Foram horas antes de partirmos que lhe fizemos o convite: “Quer vir a Portalegre connosco?”, “Eu? Nããã…fica muito longe do mar!”.
Mas nós lá fomos. O Alentejo é para mim, desde há muito tempo, um regresso às raízes (apesar de não ter nenhuma costela de lá…apenas algumas por afinidade) e serve sempre de recolhimento mental. Seja no alto, no baixo ou no litoral, aquelas terras têm qualquer coisa de pitoresco e diferente do resto do País. Respira-se diferente, vive-se e ri-se diferente. Em ambos os dias estivemos esparrameirados no meio do campo em cima de uma manta a ver os motores a passar. Comemos linguiças assadas em álcool na bagagem da pick-up do primo que estava num posto de controlo do rally e no primeiro dia percorri, à pendura com ele, o prólogo da prova. Um olho afoito viu a velocidade numa das rectas de terra batida…estava muito acima do permitido nas auto-estradas. Whathever, pensei, tenho o cinto colocado e não faltam aí é equipas médicas. Como aquela que estava estacionada ao nosso lado cheia fome e com quem partilhámos umas minis, pão e queijo.
“Eh,eh, a S. já deve é estar cansada de andar por aqui. A acordar às seis da manhã, andar muito a pé, levar com pó e terra!...”, dizia-me o tio alentejano. “Acha? Sem problema! Eu sou uma rapariga do campo!”, dizia eu, irritada por me estarem a tratar verbalmente como se fosse um bibelôt citadino.
“Mas isto é muito bonito, ham! Lá na vossa terra é só mar, mar e mar! Olha para esta Natureza! Isto é que é qualidade de vida! Qualidade!!”
“Eu sei, eu sei. Aqui também há qualidade de vida, mas é uma qualidade diferente”, ripostei. Porque afinal, tal como o ti'D., não posso ficar muito longe da água salgada.
Por Sónia Ricardo a 21 de Outubro de 2009
E ainda ninguém tinha tido a coragem para dizer o que disse Saramago. Eu já tinha chegado a algumas conclusões idênticas mas preferi ficar caladinha.
«Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade»